

Memória, Psiquismo e Matéria
Nasci em Santo André, em 1986, mas as raízes da minha história com a terra são muito mais antigas. Elas moram nas narrativas da minha mãe sobre sua infância simples, em uma casa de pau-a-pique onde o barro era a estrutura do lar. Essa lembrança que adormeceu por décadas para despertar agora, na vida adulta, como um reencontro com a minha própria essência.
Formado em Psicologia, passei anos estudando os labirintos da mente e da escuta. No entanto, foi no silêncio do ateliê que encontrei uma nova forma de cura e conexão. Tornei-me aprendiz de ceramista para tocar o tangível, descobrindo que, na cerâmica — assim como no processo de individuação de Jung — "a transformação exige tempo, paciência e a coragem de passar pelo fogo".
Para mim, a cerâmica é um exercício de humildade - “a argila é a própria carne da terra”.
No início, aprendemos a moldar o barro; e com o tempo, entendi que é ele quem me molda. Minha prática é um diálogo entre a técnica do torno e a liberdade da arteterapia: nunca buscar a perfeição fria da máquina, mas o respiro do que é feito à mão.
"A beleza não está na forma final, mas no mistério do fazer."
E assim, cada peça que crio carrega o encontro entre o sagrado da natureza e o que me escapa da imaginação. Se o fogo decide deixar uma marca inesperada, recebo-a como um presente — uma cicatriz poética que honra a imperfeição e torna cada objeto irrepetível.
Neste meu jardim de criações, as mãos buscam raízes ancestrais enquanto a mente ensaia voos de inventividade. Aqui, o barro deixa de ser apenas terra para se tornar símbolo do ciclo da vida: algo que nasce bruto, atravessa o calor e renasce eterno.
Convido você a caminhar comigo nesta jornada. Onde a terra vira arte, e cada peça termina por ser um espelho das nossas próprias e constantes transformações.